Igreja, lugar de adoção

Postado em 30/11/2025, Ir. Rogério Ribeiro
“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” (João 1:12-13)

No contexto bíblico do Novo Testamento, as leis vigentes eram as leis romanas e, segundo essas leis, o processo de adoção era algo bem estruturado. No momento em que a adoção era consumada, todas as dívidas anteriores morriam com a antiga identidade do adotado. Era uma cerimônia com fortes simbolismos e exigia sete testemunhas. Segundo essas leis, um filho legítimo até poderia ser enjeitado pelo pai, mas um filho adotado, jamais. O processo era irrevogável. A adoção era vista como um ato de vontade própria, não como algo acidental ou que pudesse ser desfeito. Um filho adotado recebia o nome, os bens e o status total da nova família, e todo o seu passado era apagado.

Este é o tipo de adoção concedida por Deus por meio de Cristo Jesus, um acolhimento que não julga pelo passado, mas abraça e acolhe de forma irrevogável. “Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados” (Romanos 8.17). Aqueles que estavam antes sob o jugo do pecado, ou, melhor dizendo, sob a paternidade do pecado, agora podem ser chamados de filhos de Deus. “Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gálatas 4.4-6).

É uma mudança tão grande sair da condição de escravos do pecado e passar ao status de filhos de Deus por adoção, que podemos ter dificuldade em entender, em profundidade, o que isto significa. “De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus” (Gálatas 4.7). Exige uma mudança de mentalidade, antes baseada no medo e na obrigação, agora fundamentada no amor e na herança com Cristo. Essa mudança de paternidade transforma não apenas nosso status espiritual, mas também nossa forma de viver, pois deixamos a antiga condição que moldava nossos pensamentos e atitudes para assumir a identidade de filhos amados, guiados pelo Espírito de Deus.

Este é o mistério do corpo sobrenatural de Cristo, formado pelos filhos de Deus, adotados mediante a fé em Cristo Jesus. “Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular” (Efésios 2.19-20). Nosso Deus todo-poderoso, criador dos céus e da terra, enviou seu Filho Jesus pessoalmente para nos ensinar a ser igreja. Não existe outro lugar ao qual possamos pertencer que não seja, em primeiro lugar, o corpo de Cristo. Que Deus nos abençoe e que possamos viver essa adoção de maneira prática, adotando também uns aos outros, fortalecendo a comunhão e refletindo o amor de Cristo em tudo o que fizermos, até que Ele venha.

Ir. Rogério Ribeiro

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